Vinho de granja para harmonizar com seu frango de granja. 20


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Vinho de granja?

Você quer pagar o mínimo por seu vinho? Então para você foi feito o vinho de granja.

Ouvi a expressão “vinho de granja” pela primeira vez, ao ler o prefácio do “Atlas Mundial do Vinho”, escrito por Hugh Johnson em parceria com Jancis Robinson.

Vinho de granja é tudo que um frango de granja é: barato, com produção industrial maciça e uso indiscriminado de químicos para se obter um produto padrão.

Chips de madeira para dar aromas de carvalho ao vinho.

Chips de madeira para dar aromas de carvalho ao vinho.

E infelizmente para se conseguir o preço e o padrão que o consumidor quer, algumas empresas deixam o vinho menos natural. Quer mais tanino? Adicione um pó de derivados de madeira, sementes de uva ou nozes para melhorar o equilíbrio ou a estabilidade. Quer mais cor? Use uma tintura de vinho chamado Rubired. Quer mais acidez? Adicione acido tartárico ou málico. Muito álcool? Adicione água ou faça osmose inversa. Quer aromas de limão e maçã verde? Adicione leveduras que dão aromas. Quer aromas de madeira? Adicione chips de madeira. Mesmo assim ficou ruim? Adicione açúcar para agradar o paladar.

E pobre dos alérgicos! O vinho pode conter traços de nozes (aditivos para aumentar o nível de taninos ), traços de peixe (agente clarificador à base de vesículas de peixe secas), produtos lácteos (caseína), ou ainda de claras de ovos (outro agente clarificador).  

E você ainda acha que o vinho é um produto natural?

Veja ainda os químicos vendidos que podem ser adicionadas ao vinho: produtos para micro-oxigenação, flotação, detergentes, enzimas, leveduras, nutrientes & adjuvantes de fermentação, bactérias lácticas & nutrientes, polissacáridos de levedura e de uva, taninos, alternativos de madeira, corretores de acidez, agentes de colagem, agentes estabilizantes, agentes sulfitantes.

Mas sinceramente não acho que todo vinho precisa ser biodinâmico. A melhor forma de obter um vinho de qualidade é conhecer o produtor. Quando o produtor falar que as leveduras dele são naturais, que as uvas são colhidas manualmente, que envelhece seus vinhos em barricas de madeira (e não em chips), e que há o mínimo de intervenção, você pode confiar que o produtor é sério.

Intervenção, ainda que mínima, sempre haverá, do contrário não teríamos vinho e sim vinagre. Mas eu ainda prefiro vinho de uvas e não de químicos. Saúde!!

Fontes:

http://whatsinwine.blogspot.com.br/p/permitted-wine-additives.html

http://www.enartis.com.pt

http://www.ingredientwine.com/content/7-additives

http://prazeresdamesa.uol.com.br/exibirMateria/3903/saber-nunca-e-demais#sthash.OYAAQvrO.dpuf

http://www.rawwineandbeer.com.au/2012/03/are-hidden-allergens-in-wine-making-you-miserable/

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20 thoughts on “Vinho de granja para harmonizar com seu frango de granja.

  • Nilson Cesar

    Todos os dias em nossa loja explicamos para o consumidor que também dá para fazer vinho com uvas…
    Algumas pessoas preferem travestis como relação de prazer, nada contra se você souber e puder optar: questão de escolha, mas muitos vinhos que estão por ai são como travestis; parecem uma coisa mas são outra e não lhe dão condição de optar. Não assumem. Se você souber como são feitos, se for informado e gostar, pegue com as duas mãos e se deleite mas se você procura vinhos verdadeiros vá a luta porque em nosso mercado infestado de lojas ponto.com sem caráter algum que só pensam em $$ certamente você será enganado..

    • aleesteves

      Nilson, obrigada pelo comentário e pela visita. Achei engraçado sua comparação!
      Se as informações constassem no rótulo, poderíamos comparar um vinho com outro, mas infelizmente ainda não há lei que determine.
      Abraço e boas vendas! Alessandra

  • Rodrigo

    Eu sempre imagino que esta é a explicação de ‘novos terroirs’ que tem se produzido. Ou ainda outros ‘terroirs’ que são o contra-exemplo do que deve ser o clima e terreno ideais para produção de vinhos, com terra sem drenagem e verões cheios de chuva.
    Mas que produtor vai admitir que usa esse arsenal todo? Portanto, a menos que ele seja seu amigo de se frequentar a casa e beber juntos (não tenho nenhum amigo produtor, infelizmente) , o melhor que podemos fazer é confiar na certificação de vinhos biodinâmicos. Pois certificação de vinho orgânico não tem credibilidade nenhuma, nem a do Brasil, nem a da Europa (desconheço outras).

    • Jaime riba

      No conhecimento que tenho, certificação organica (Biologica) daquela que dependo, é séria e não serve para espertos. Falo de uma filial em Portugal de quem dependo para certificação. Conheço daqueles que nada sabem e tem resposta para tudo, inclusivo para saber como é efectuado o controlo. Mas há outro factor mais importante. Estou em biologico por filosofia, respeito pela natureza e pelo ser humano. A saude dos meus semelhantes é tão preciosa como a minha, daí fazer vinhos naturais, é questão de valores e consciência. Desculpem se a palavra não se adequa a negócios. Mas falar de vinho sem a sua companhia, pouco se pode dizer. este produto vivo fala por si a quem o entende, mas ele gosta da intimidade, tem que entrar em nós para se revelar. eu convido, façam o que fazem milhares de turistas que aqui vem por vezes com muitos milhares de kilometros, depois trocaremos conhecimentos gostosos. não é bom ser pioneiro, mas é o meu destino à um quarto de século. venham ver. http://www.solardemerufe.com é so querer e é possivel fazer vinhos como outrora, sem recorrer a produtos que prejudiquem nada nem ninguem.

      • Rodrigo

        Jaime,
        eu só conheço a legislação por comentários de outros. No caso, o comentário de Jancis Robinson. De acordo com um texto publicado no site dela (não tenho o link no momento), a legislação européia com relação ao vinho orgânico, praticamente se limita ao cultivo das uvas, permitindo quase todas as adições descritas no texto da Alessandra, durante a vinificação. Isso não corresponde à verdade? A certificação européia proíbe a adição de ácidos, de açúcar, e estes outros aditivos descritos?

        Atenciosamente,
        Rodrigo

      • Rodrigo

        Não há de quê, Alessandra.
        Seu texto é informativo, bem escrito, e bem fundamentado, que todos aqueles que bebem vinho regularmente deveriam ler.
        Abraço,
        Rodrigo

  • Alexandre

    Se tu perguntar ao produtor, ele vai te jurar que não usa nenhum produto.
    Mas não compreendo o espanto: em todos os alimentos que ingerimos, por melhor e mais saudáveis que pareçam, há conservantes, há traços de outros produtos e há muitos corretores e estabilizantes. Alimento natural é aquele que tu cultiva e tu certifica.

    • aleesteves

      Alexandre, obrigada pelo comentário. Concordo com você 100%!
      Pelo menos nos alimentos temos a etiqueta de ingredientes, no vinho nada! Então muitos ainda acham que vinho é algo natural e nunca ouviram falar de chips de madeira, por exemplo.
      Abraço, Alessandra

    • Nilson Cesar

      Ponderação, equilíbrio, ajuste e não exageros podem trazer enormes benefícios ao vinho. Acumulamos um enorme conhecimento com relação a cultivo, manejo, tipos de vide, etc. Utilizando a mecânica e a química juntos, além de diversos outros fatores com parcimônia seria a chave. Mas a ganância independentemente de época ou do conhecimento tem mais a ver com o caráter e o de muitos é mal, sem solução.

  • Alessandra Gomes Rodrigues

    A qui’mica deve ser usada com equili’brio. Todos os vinhos precisam de certos “ingredientes” para poderem ser conservados, principalmente. O importante é que as leis dos pai’ses produtores sejam seguidas e as normativas de produçao também, pois especificam a quantidade de cada produto, pra nao prejudicar a sau’de do consumidor. Infelizmente nem todos os pai’ses tem leis muito rigorosas, como as de alguns pai’ses europeus…

    • Jaime riba

      Eu não sabia que é indispensavel conservantes para os vinhos. No meu caso não é verdade. Devemos saber que. Ha vinhos como por .exemplo vinho verde que por natureza contem um conservante natural. Acidez que só estes contem em bom equilibrio. O resto é na vinha e no nivel de cuidados no decorrer de todo o ciclo. A natureza tem suas leis, se as transgredimos temos que recorrer a correçōes. Podemos evitar.

      • aleesteves

        Jaime, gosto muito do vinho verde, exatamente pela acidez. Não sou química, nem enóloga para poder saber o que é essencial para conservar um vinho. Mas como advogada, acho que o consumidor deveria saber o que está bebendo. Grande abraço, Alessandra

      • Rodrigo

        Jaime, você não adiciona SO2 nos seus vinhos? Também não correção dos teores de ácidos durante a vinificação? Sei de produtores de vinho verde que o fazem. Vejo que seus vinhos são de produção biológica. Você tem certificação? E você exporta para o Brasil?