Verona – dia 2: vinícolas Pietro Zanoni e Santa Sofia.


Era uma quinta-feira nublada e gelada quando saímos 8:15 para visitar 4 vinícolas. Éramos um total de 25 jornalistas/escritores do mundo todo e somente 2 do Brasil: Marcelo Coppelo, editor da Revista Baco e eu. Eles dividiram os jornalistas em grupos selecionados de 5 e partimos para a Valpolicella.

A região é linda e muito próxima à Verona, cerca de 15 a 30 minutos de carro, e as estradas são boas, mas se você não quiser alugar um carro, há tours que saem dos hotéis também.
Vinhos da Pietro Zanoni. Crédito da foto: www.pietrozanoni.it

Vinhos da Pietro Zanoni.
Crédito da foto: www.pietrozanoni.it

A primeira vinícola foi a Pietro Zanoni e ficava quase dentro de Verona. Tinha lindas vistas para o vale. É uma propriedade pequena, com 6 hectares apenas e faz vinhos como Valpolicella Classico, Valpolicella Superiore, Amarone e Recioto.

Vale dizer que Valpolicella (Classico ou Superiore) é um vinho tinto seco, feito com as uvas Corvina, Corvinone, Rondinella, Molinara e Oselleta, podendo ou não ser feito com uvas passificadas. Em geral, são vinhos leves, de taninos moderados, alta acidez e aromas e sabores de pimenta, cereja e especiarias, que acompanham bem comida. Um vinho para o dia-a-dia.
Provamos 11 vinhos das safras 2002 a 2012 e dos mais diferentes estilos e gostei muito desse produtor. Quem nos recebeu foi ele (o Pietro) e sua mulher, muito simpáticos e apaixonados pelo que fazem. Buscam a qualidade da uva e do vinho, sem muita intervenção.
Destaco o Valpolicella 2012: feito com 70% Corvina, 30% Rondinella, têm aromas de cereja e pimenta, taninos leves e custa só US$ 3,60 na vinícola. Para tomar todo dia.
Amarone dela Valpolicella 2002: este vinho com 13 anos tem notas balsâmicas, de ervas, terra, couro e tabaco, mas com um frescor surpreendente. Passa por 36 meses de envelhecimento em madeira é o preço é excelente: Euro 16,80. Fora isso indico o Recioto dele, doce e equilibrado, é vendido como meia garrafa.
Pietro Zanoni não exporta para o Brasil, mas vale a pena visitá-lo quando for a Verona ou procurar seus vinhos nos EUA, Canadá ou Europa. Ótima qualidade e custo/benefício.
Santa Sofia: ótimos vinhos e bela vinícola para visitar.

Santa Sofia: ótimos vinhos e bela vinícola para visitar. Crédito da foto: Divulgação.

A segunda visita foi a um produtor super tradicional em Pedemonte di Valpolicella, chamado Santa Sofia. Fica em uma belíssima propriedade, uma construção do século XVI, com adegas históricas do século XIV e novas adegas, que vale a visita. O proprietário Sr. Giancarlo Begnoni nos recebeu, um senhor que fez questão de dizer que o aspecto mais importante de um vinho eram os aromas. Para ele, nada de mascarar o vinho com madeira nova; madeira serviria apenas para ajudar na integração dos componentes do vinho e deveria ser usada com cautela. Eu concordo.

Após visitar a cave e a propriedade, fomos até uma trattoria em Marano della Valpolicella e pudemos acompanhar seus vinhos no melhor almoço que tive na Itália. Vou contar sobre o almoço em um próximo post, mas aqui continuo a falar dos vinhos da Santa Sofia.
Provamos um excelente Ripasso dela Valpolicella, safra 2012. Este vinho é feito com o bagaço do Amarone e/ou Recioto, que é misturado a um vinho seco Valpolicella. Daí o porque do nome, já que as cascas/sementes são repassadas. Isso dá maior complexidade ao vinho, sendo que muitos produtores o chamam de “piccolo Amarone”. O Santa Sofia Ripasso é fresco, cheio de fruta, gostoso de tomar. Custa 11 Euros na vinícola. No Brasil, os vinhos da Santa Sofia são importados pela Ravin.
Amarone della Valpolicella da vinícola Santa Sofia. Crédito da foto: divulgaçao.

Amarone della Valpolicella da vinícola Santa Sofia.
Crédito da foto: divulgação.

Além disso, provamos um Valpolicella Classico 2009, o Arleo 2005 (um vinho feito com Merlot, Corvina e Cabernet Sauvignon), um Amarone della Valpolicella 2009 e um Recioto 2009. Todos ótimos vinhos, frescos, com bastante caráter, mas sem serem pesados. Com os pratos da Trattoria da Bepi, a harmonização foi espetacular.

Eu indico a Santa Sofia para visitas, pela beleza da propriedade, pelas suas caves históricas e qualidade dos seus vinhos. Muito bacana!
No próximo post, falo da Trattoria da Bepo, onde comi trufas até dizer chega e harmonizei tudo com os vinhos da Santa Sofia.
Saluti!
Ale Esteves

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