O que vamos beber em 100 anos? Qual o futuro do vinho? 12


O ano é 1914. A Primeira Guerra Mundial estava prestes a começar, o Canal do Panamá seria inaugurado em agosto. Carros haviam sido inventados, mas não popularizados. Televisões e telefone eram artigos de luxo, que ainda não estavam em nossas casas.

E nossa dieta? Comíamos menos carne, mais grãos, mas muito mais açúcar. E os vinhos? Champagne era uma bebida muito popular, porém bastante doce. Assim queriam os maiores consumidores da bebida do mundo, os russos.

Em novembro de 2013, 6 garrafas da Moet & Chandon 1914 foram vendidas por 25.000 libras.

Em novembro de 2013, 6 garrafas da Moet & Chandon 1914 foram vendidas por 25.000 libras. Será que esse era doce?

Passamos a 2014. O avanço tecnológico foi incrível durante esses 100 anos. Enquanto eu escrevo, você lê meus artigos de qualquer país do mundo e de qualquer lugar em que se encontre. Literalmente.

Consumimos muita carne, menos açúcar e nossos vinhos se modificaram muito nos últimos anos. Fermentação com controle de temperatura, utilizacão de tanques de aço inox, clones resistentes a muitas doenças, e uma série de químicos utilizados no vinho para estabiliza-lo, clarificá-lo ou aromatizá-lo, conforme o caso (relembre aqui os vinhos de granja).

Já há duas tendências na viticultura mundial nesse momento em que eu escrevo: vinhos bio ou naturais, com menos interferência do homem e menos utilização de químicos, e espumantes brut nature, ou seja que não tem açúcar residual ou que não recebem licor de expedição (lembrou dos russos que adoravam vinho doce?). Os maiores consumidores de vinho continuam sendo a França e Itália, mas a China já é o número 5 (dados de 2012).

Vinho da China: será a China o maior produtor de vinhos?

Vinho da China: será a China o maior produtor de vinhos?
Crédito da foto: http://jsglobalunitedblog.blogspot.com/2013/02/china-wine-market.html

Passamos 100 anos à frente. O ano agora é 2114. Eu não vou estar viva (talvez?), mas meus filhos e netos sim. Google Glass será uma realidade?

E o que vamos comer? Segundo um relatório da BBC, com o crescimento da população mundial e com a falta de alimentos, carne passará a ser um artigo de luxo. Insetos, na forma de hamburgers ou salsichas, serão amplamente consumidos. Alga também fará parte da nossa alimentação diária, como item abundante e barato. E talvez alguma quantidade de carne feita em laboratório, in vitro, conforme tentativas feitas por pesquisadores holandeses já no inicio de 2012.

E como será o vinho? Será que teremos menos açúcar residual ainda? Será que os vinhos bio serão a totalidade? E se houver alguma doença devastadora como a Filoxera?

No momento, há tendências para todos os lados. Plantam-se uvas internacionais (Cabernet Sauvignon, Chardonnay, etc) em todos os países, ao mesmo tempo que se valoriza uvas autóctones ou quase extintas (veja o caso da uva País no Chile).

A China já começou a produzir vinho e pode ser que em 100 anos, ou muito menos, seja um dos grandes produtores mundiais e talvez o maior consumidor (hoje saiu um relatório da Vinexpo e o país já é o maior consumidor mundial de vinho tinto).

Grilo harmoniza com vinho? Crédito da foto: http://www.etsy.com/listing/43248596/praying-mantis-at-the-wine-bar-insect?ref=market

Grilo harmoniza com vinho?
Crédito da foto: http://www.etsy.com/listing/43248596/praying-mantis-at-the-wine-bar-insect?ref=market

Agora o maior problema, no meu ver, vai ser harmonizar vinho com inseto. Se a tendência de consumo e produção mundial for essa descrita acima, acho que os Chineses vão levar a melhor na harmonização. Esperemos para ver! Saúde!!

 

Fontes:

http://www.bbc.co.uk/news/magazine-18813075

http://www.estadao.com.br/noticias/geral,chineses-superam-italianos-e-franceses-em-consumo-de-vinho-tinto,1124064,0.htm

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12 thoughts on “O que vamos beber em 100 anos? Qual o futuro do vinho?

  • Ricardo

    Adorei os ultimos posts, este sobre o futuro do vinho, o das tacas de acrilico de cingapura e dos hoteis de colchagua. Seu blog nos faz viajar nao so no tempo mas tambem pelo planeta, parabens!

      • Jessica Marinzeck

        Oi Alê, sempre achei seu blog com cara de profissional, mas agora ficou ainda melhor! Não voltei pra Malta não, fico no Brasil por mais alguns meses, aqui tá bom mas não vejo a hora de voltar rsrs Espero que esteja tudo bem aí contigo! Beijo

  • Mario

    Excelente matéria, muito boa a chamada.

    Uma coisa é certa, não tenho dúvidas que a China será o maior produtor de vinhos no mundo e muitas matéria já falam que além de oitavo na classificação mundial como produtos, alguns vem falando que a qualidade dos vinhos é muito boa. (curioso para tomar um Made in China).

    Agora daqui 100 anos acredito que possa acontecer 2 coisas, primeiro: boa parte dos grandes produtores vão investir cada vez mais em tecnologia, acredito que poderemos comprar vinhos customizados, onde seremos capazes de escolher as castas, podendo escolher aromas, teor alcoólico e até tipo de envelhecimento, fechar o pedido e receber o vinho em nossa casa da forma que foi “configurado” :-P…

    A segunda coisa que eu penso, é que ainda teremos alguns produtores que vão fabricar vinhos nos métodos tradicionais(ou semi) para um pequeno publico seleto.

    E aqui 200 anos imagino muito mais….mas este fica para um outro POST,

    Grande abraço