Novas uvas? É culpa da mudança climática.


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Qual o futuro do vinho? Crédito da foto: http://mowse.blogspot.com

No meio de maio ocorreu em Firenze o MW Simposium, um simpósio que reuniu famosos Masters of Wines, além de 64 estudantes do Instituto Master of Wines. Apenas dois brasileiros estavam presentes, Bernardo Silveira, que é diretor técnico da importadora Zahil e professor da WSET no Brasil e Luiz Alberto, brasileiro radicado nos EUA fundador do site thewinehub.com.

No site da escritora inglesa e MW Jancis Robinson* pude ler um resumo interessante do evento, principalmente no que diz respeito à criação de novas variedades de uvas, em razão da mudança climática.

Em uma das apresentações, o professor Gregory Jones que é especialista em clima para viticultura, mostrou como o mapa do mundo do vinho foi ampliado nos últimos anos, graças à mudança climática. Regiões que não produziam vinhos agora já poderiam produzir. Um dado bem interessante que ele apresentou foi pensar que pessoas nascidas depois de abril de 1985 nunca experimentaram um mês em que a temperatura média foi a mais fria dos últimos anos. 2013, por exemplo, foi o quarto ano mais quente desde que os registros começaram em 1880. Então não há razão para os produtores reclamarem do não amadurecimento das uvas.

Mas quais os efeitos das mudanças climáticas nos vinhedos? Muitas. O solo também aumentou a temperatura, disse Fiona Morrisson da famosa vinícola francesa Le Pin. Com isso, há maior chance de doenças nos vinhedos. A umidade também parece ter aumentado, já se sente isso em Bordeaux, que tem grande influência do Oceano Atlântico e umidade sempre traz pragas. Há também estações mais longas de crescimento e menor tempo de hibernação, o que é importante para a vida longa das videiras.

E qual será a solução? Talvez novas variedades de uvas ou uvas geneticamente modificadas. Até hoje é proibido fabricar vinhos com uvas geneticamente modificadas. A União Européia veda e dado à resistência do consumidor aos chamados OGM, nenhum outro país do mundo arriscou plantá-las. Mas há pesquisas sobre o assunto. Segundo Jose Vouillamoz, botanista e geneticista de uvas, países como França, Itália, Alemanha, Romênia, os EUA, Canadá, África do Sul e China fazem pesquisas com organismos geneticamente modificados. Talvez seja um caminho para o futuro, além do cultivo de uvas silvestres e variedades desconhecidas.

E aí ele fez uma pergunta interessante: como será o Romanée-Conti do ano 2214? Sinceramente não sei, mas se você lembrar de um post meu sobre o futuro do vinho, ele certamente deverá ser bom o suficiente para acompanhar um belo prato de insetos! Saúde!

*Leia aqui o artigo original: http://www.jancisrobinson.com/articles/a201405226.html

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