Conhece a Cabernet Franc? Provei o Morandé Edición Limitada para a #CBE 6


Estou bem atrasada no post para a Confraria Brasileira de Enoblogs (CBE) que deveria ter postado em 1/10. O tema foi escolhido pelo Felipe Silva, do blog BebadoVinho, que pediu um vinho “100% Cabernet Franc, de qualquer país e faixa de preço”.

Cabernet Franc: o pai da Cabernet Sauvignon. Crédito: http://terroirists.wordpress.com

Cabernet Franc: o pai da Cabernet Sauvignon.
Crédito: http://terroirists.wordpress.com

14 confrades publicaram seus posts, com vinhos do Chile, Brasil, Argentina e França. Eu li todos os posts e tentei estabelecer uma conexão entre a uva e o terroir. Foi um exercício bem interessante porque a maioria das pessoas descreveu a Cabernet Franc com aromas de frutas vermelhas. Essa fruta poderia ser fresca ou madura, mas ninguém falou em cereja negra ou amora, por exemplo. Também vários citaram pimenta ou especiarias e ainda mentol, cânfora ou pimentão verde (que seria aquele aroma herbáceo ou vegetal).

Mas que uva é essa? Cabernet Franc?

Cabernet Franc é o pai da Cabernet Sauvignon. Um cruzamento entre a Cabernet Franc e a Sauvignon Blanc, nasceu a tão conhecida Cabernet Sauvignon. A Cabernet Franc é originária da França, tem grande qualidade e tem a vantagem de amadurecer mais fácil do que sua filha C. Sauvignon. Isso é ótimo em climas frios, ou em safras mais difíceis. Na França é bastante plantada em Chinon ou mesmo em Bordeaux, para compor o corte com a Cabernet Sauvignon e a Merlot.

E os aromas, afinal?

Bem, os confrades tinham razão. Fruta vermelha, principalmente framboesa, é o aroma principal desta uva, além do herbáceo e vegetal (grama, folha verde, pimentão verde e até menta, em alguns climas). Os aromas de tostado, baunilha, coco e até especiarias, que os confrades citaram, são da fermentação em barricas de madeira e/ou do envelhecimento em madeira.

Qual o potencial desta uva?

Cada vez mais o novo mundo, especialmente a Argentina, tem feito vinhos varietais, ou seja 100% Cabernet Franc. Não que não haja sol e calor na Argentina para amadurecer a uva, mas busca-se resgatar uma variedade que sempre ficou em segundo plano, atrás da Cabernet Sauvignon.

Morandé Edición Limitada Cabernet FrancEu escolhi o Morandé Edición Limitada Cabernet Franc 2007 para essa degustação virtual. No Brasil quem importa é a Expand e o preço cerca de R$ 150,00 (não achei no site deles).

O vinho é púrpura, de intensidade média e apresenta longas lágrimas no copo. No nariz um vinho jovem, sem sinais de envelhecimento, com aromas de frutas vermelhas, menta, tostado, café e chocolate. Na boca bem balanceado. Acidez média, taninos médios (+) e maduros, álcool alto sem parecer desequilibrado (são 14,5%), média intensidade de sabores, encorpado e final médio (+).

Um vinho de boa qualidade, com boa estrutura, balanceado e com boa complexidade. Pode ser bebido agora, tem pouco potencial de envelhecimento, em razão da acidez mediana. Para mim, representou bem o Cabernet Franc (pela fruta vermelha) e a região Maipo, Chile (pelo mentolado no nariz). Um vinho muito bom.

Saúde e boa semana!

Comentários

comments


Leave a Reply to Lairton Cancel reply

6 thoughts on “Conhece a Cabernet Franc? Provei o Morandé Edición Limitada para a #CBE

    • Lairton

      Comprei este vinho(cabernet Franc) em FLorianopolis por R$49,90, no Super Angeloni em oferta pois não vão mais trabalhar pelo motivo de a Morande ter dado exclusividade a importadora!

      • Jorge Alonso

        Ale,

        Eu arrisco dizer que o motivo é a Cabernet Franc ser uma uva muito pouco comercial, o que também serve para a Carignan, que nesse caso acho que esse vinho eles trouxeram por ser mais conceituado por críticos.

        Diria até que a CF aqui no Brasil foi relegada pelos nossos viticultores por ser considerada pouco comercial, já que pelas características de cultivo, que você mesma citou nesse post, e por relatos técnicos diversos, é uma variedade mais compatível com o clima de nossas principais zonas produtoras do que Merlot e Cabernet Sauvignon. Só que além de menos conhecida aqui no Brasil gera vinhos mais jovens e sem muita estrutura (embora bons e fáceis de beber), basta provar o da Valduga (na minha opinião o melhor e mais regular tinto deles) e o da Peruzzo, que muitos de nossos colegas de CBE avaliaram bem recentemente.

        Abraço,
        Jorge