Arsênico no vinho? Sério? Leia de novo. 2


Alessandra EstevesHá pouco mais de um mês, correu uma notícia nas redes sociais sobre quantidades alarmantes de arsênico no vinho. Eu li as notícias dos Estados Unidos e vi que alguns blogs nacionais repassaram a notícia.

Assim que eu li, eu tomei a notícia com bastante cautela, afinal envolvia advogados, um processo milionário e um país chamado EUA. Não precisa ser advogado (basta ver os seriados americanos) para saber que havia um interesse secundário no processo, além do bem estar dos bebedores de vinho e da paz mundial. Pois bem.

Vinho é feito de uvas e é uma atividade agrícola. Por mais glamour que tenha e, apesar dos preços altos alcançados, uva é um produto da terra, que está sujeito a pestes, doenças, vírus, bactérias. Foi por essa razão, que no final do século XIX quase todos os vinhedos da Europa foram dizimados, por uma peste chamada Filoxera. Ela foi trazida dos EUA (as plantas americanas são imunes à doença) e pouco a pouco devastou vinhedos da Inglaterra ao Sul da Itália. A Filoxera se espalhou para outras regiões do mundo também, e hoje, somente partes do Chile e da Austrália são livres de Filoxera, mas tem normas de quarentena super rígidas. Porque estou falando isso? Para dizer que a única forma de proteção contra essas ameaças são pesticidas (ainda que naturais, como usados nos vinhos “bio”), herbicidas e, no caso da Filoxera, enxerto em raízes americanas.

Com isso, sempre vai haver um residual de alguma coisa no vinho, assim como há no tomate ou na água que consumimos. Alguns países, como o Canadá, Japão e a União Européia, limitam a quantidade de arsênico no vinho. Os Estados Unidos não tem esse limite, somente para a água.

A questão foi que o autor do processo de indenização levou em consideração o limite de arsênico na água, para o vinho. Mas peraí: eu bebo 8 copos de água por dia e somente 1 taça de vinho. E aí que está o problema. Eles levaram em consideração que uma pessoa normal beberia igual quantidade de vinho e água e com isso o limite de arsênico estaria fora do padrão.

Tirando o ator francês Gerard Depardieu, que diz beber 14 garrafas de vinho por dia, eu não conheço ninguém que beba 2 litros de vinho por dia, 365 dias por ano. Assim, fique tranquilo, que estamos livres do arsênico.

Dias depois das notícias, o Instituto do Vinho dos Estados Unidos, uma associação de mais de 1000 produtores da Califórnia, publicou um comunicado, dizendo que a saúde e a segurança dos consumidores era de extrema importância para eles e explicou sobre os limites de arsênico. Também falou que “o arsênico é encontrado no ambiente natural do ar, solo e água e comida.”

Por fim, vale lembrar que uma quantidade enorme de vinhos dos Estados Unidos é exportado para o mundo inteiro, inclusive para o Japão e União Européia. Assim, apesar de não haver limite de arsênico “em casa”, para exportar esse vinho, o produtor tem que cumprir com as normas dos outros países.

Assim, esqueça o processo judicial milionário e continue bebendo seu vinho, com moderação.

Ale Esteves

 

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