A (mítica) prova da Unidade 3 do WSET Diploma (nível 4) 13


Diploma

Como já não cabia mais material do Diploma na mesa, tive que usar a cama do quarto do hotel para organizar tudo.

Quando eu terminei o nível 3 da WSET em dezembro de 2013, e comentei com o Thiago Mendes (professor da Eno Cultura) que queria logo fazer o Diploma, a dica dele foi “comece a estudar para a Unidade 3 já”. Eu não sabia o que era Unidade 3, óbvio, mas é a unidade que reúne todos os vinhos tranquilos (ou seja não fortificados ou espumantes) do mundo inteiro.

Claro que é muita matéria, e eu estudei os últimos 8 meses com afinco. Todos os dias da semana, todos os fins de semana. Mesmo assim, o nível de complexidade e entendimento que a WSET exige é tão grande, que você nunca sabe se é o suficiente.

Na semana passada, fiz a prova em São Francisco. Só de ser 5 horas de prova escrita em inglês, já é um esforço enorme para o corpo e principalmente para a mão (juro que lamentei não ser ambidestra). Mas não só isso: o desespero dos candidatos é geral, tem gente que está repetindo a prova então eles estudam até o último momento, desistem da prova, saem no meio, saem depois de ler as perguntas, quase choram… Eu literalmente vi de tudo.

O negócio foi manter a calma.

Começamos com a prova prática, 12 vinhos às cegas, para descrever inteiramente, colocando qualidade, região, idade, uva, e quanto tempo esse vinho ainda envelheceria. As duas horas passam voando, e eu não parei de escrever nem um minuto. 48 horas depois da prova, os vinhos foram revelados: de Chablis a Chateauneuf-du-Pape, passando por Coteaux du Layon (vinho doce do Loire), Malbec da Argentina e Riesling da Nova Zelândia, teve de tudo.

Pausa de uma hora para o almoço. Eu subi para o quarto (estava no mesmo hotel da prova) e resolvi meditar. Usei um app chamado Sattva para meditar durante 20 minutos, comi um sanduíche e voltei para mais 3 horas de prova.

A questão obrigatória era sobre Bordeaux, perguntando sobre estilo de vinho, qualidade e preço de Bordeaux, Barsac e Entre-Deux-Mers. Claro que você tem que comparar os três estilos de vinho desde do vinhedo até o engarrafamento.

Depois havia questões sobre a África do Sul, uvas da Grécia, uma dissertação sobre a uva Riesling e uma questão com múltiplas regiões do mundo (Salta, Central Otago, Aconcagua, Okanagan Valley, Clare Valley e Central Valley). Ainda uma dos vinhos do Sul da França e uma dificílima sobre vinhos italianos.

Eu escrevi as 3 horas de prova, algo como 12 páginas ou mais. Saí com um bom sentimento da prova. Resultados agora só em 12 semanas, então é esperar.

Há um ditado que diz que não importa o resultado, mas sim o caminho até ele, ou algo assim. Claro que para mim o resultado importa, mas o que eu aprendi nesses últimos 8 meses foi algo inimaginável.

Feliz semana com muitos brindes!

 

Ale Esteves

PS: 12 semanas depois saiu o resultado. Passei com mérito nas provas!

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